Diário de Intercâmbio: residência estudantil ou casa de família?

Uma intercambista Marcela Bonafé conta os prós e os contras de cada opção.

Desde o começo, soube que esse momento seria o mais difícil: a volta para casa. É claro que eu estou muito feliz em saber que, no final de semana, vou reencontrar minha família e meus amigos. Afinal, estou morrendo de saudade deles! Mas não posso negar que está me dando um aperto enorme no coração saber que o meu intercâmbio no Canadá chegou ao fim.

Parece que foi ontem que eu cheguei ao aeroporto de Montréal e pensei, com medo: “o que estou fazendo aqui sozinha?!”. As pessoas mais próximas de mim sabem que o principal motivo para eu ter vindo para cá era recomeçar, me reencontrar. De 2016 para 2017, comecei a lutar contra a depressão e, no fundo, esse intercâmbio foi como o ápice dessa batalha que, hoje, dou quase por vencida.

Uma das decisões mais difíceis na hora de fechar o intercâmbio é a acomodação. Afinal, a gente precisa de um lugar para ficar, né? Geralmente, existem duas opções mais comuns: casa de família e residência estudantil. Eu já vivi as duas anteriormente e desta vez escolhi novamente a segunda – vem cá que vou explicar o porquê e mostrar como é.

O primeiro fator, talvez um dos mais determinantes para mim, foi a proximidade. É que as casas de família podem ficar a até uma hora de distância da escola. As residências estudantis, em compensação, costumam ficar pertinho, o que faz bastante sentido. Aqui em Montréal, por exemplo, eu demoro oito minutos andando até a escola enquanto tenho amigos que precisam pegar ônibus, metrô e levam 50 minutos (olhe só, ainda economizo muito com transporte!).

Além disso, essas residências específicas para estudantes costumam ficar em lugares centrais, perto de tudo, mas as casas de família podem ficar em bairros mais afastados e residenciais. Outro ponto que pesou bastante para mim foi a privacidade. Aqui eu poderia escolher entre um quarto duplo ou individual. Preferi meu próprio cantinho, que pude decorar do jeito que eu quis. Fora que não preciso ficar ligando para avisar ninguém se for chegar mais tarde ou se resolver não jantar em casa!

O banheiro também é individual, o que acho ótimo (e geralmente não rola em casa de família). A cozinha, por aqui, é uma para cada andar – e isso tem sido bem legal porque, apesar da bagunça, acabo conhecendo várias pessoas. Para melhorar, nessa residência em especial ainda tem piscina, biblioteca, sala de jogos, academia 24h, salas de estudo, restaurante e lavanderia, além de um caminho para o metrô sem precisar sair na rua!

Incrível, né? Mas é claro que também tem suas desvantagens: residência estudantil costuma ser um pouco mais cara; você precisa limpar seu quarto e seu banheiro, lavar suas roupas e fazer sua comida; e você vive um pouco menos a cultura do lugar. Já na casa de família você pode ter café da manhã, almoço e jantar, se quiser; não precisa fazer faxina; e tem a oportunidade de vivenciar um pouco da rotina do lugar e praticar o idioma com nativos.

 

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